Antibióticos ou antimicrobianos sao substâncias químicas capazes de inibir ou matar microrganismos (bactérias). Essas substâncias podem ser produzidas de forma natural ou serem sintetizadas em laboratórios farmacêuticos.
Um dos maiores avanços da medicina no século XX foi a descoberta do antibiótico penicilina, em 1928. A partir daí pensou-se que todos os problemas relacionados a infecçao estariam acabados, uma vez que a penicilina era capaz de matar as bactérias causadoras de infecçao. A euforia e o otimismo tomaram conta do panorama na época e os antibióticos passaram a ser utilizados sem muito critério, uma situaçao que, infelizmente, persiste até os dias de hoje. Já em 1944, uma bactéria muito conhecida, Staphylococcus aureus, mostrava-se resistente a açao da penicilina. Desde entao, essa e outras bactérias vêm desenvolvendo mecanismos de resistência cada vez mais complexos e direcionados para um número cada vez maior de antibióticos.
A situaçao chegou a tal ponto que atualmente já foram isoladas bactérias resistentes a todos os antibióticos disponíveis, inclusive aqueles ditos de última geraçao, os mais potentes. Felizmente esses casos ainda sao raros, mas servem de alerta para o problema mundial da resistência bacteriana. A preocupaçao com o número crescente de bactérias resistentes é tao grande que fez com que a Organizaçao Mundial de Saúde definisse como uma das metas para o século XXI o uso racional ou correto de antibióticos.
O número de novos antibióticos em pesquisa nas indústrias farmacêuticas diminuiu drasticamente enquanto a resistência a s drogas antimicrobianas tem aumentado de forma assustadora. Corre-se o risco de num futuro nao muito distante nao termos opçao de tratamento para algumas doenças infecciosas caso medidas racionais de uso de antibióticos nao sejam tomadas. Alguns exemplos de uso inadequado de antibióticos:
aIndivíduos que se automedicam, tomando antibiótico por conta própria ou receitados pelo balconista da farmácia, vizinhos e amigos.
aPacientes com alguma infecçao, por exemplo, urinária, que nao sao encaminhados pelo médico ao laboratório de microbiologia para que um exame de cultura seja realizado. O exame de cultura fornece ao médico informações importantes a respeito do agente que está causando a infecçao e quais antibióticos podem ser utilizados.
aUso de antibióticos muito potentes sem necessidade. Mais uma vez o exame de cultura é muito importante, devendo-se reservar os antibióticos mais potentes para as situações de doenças mais graves, causadas por bactérias resistentes.
aPacientes que começam o tratamento e assim que observam melhora no estado de saúde deixam de tomar o antibiótico receitado pelo médico.
Quando tomamos um antibiótico errado, na dose inadequada ou sem necessidade, ajudamos as bactérias a se fortalecerem contra eles, selecionando aquelas mais resistentes, proporcionando para nós mesmos, o aparecimento de doenças infecciosas mais difíceis de serem tratadas, ou seja, mais graves.
Em casos de doenças infecciosas é fundamental que se procure um médico, que exames de cultura sejam realizados para que o perfil do agente seja conhecido e que o paciente nao abandone o tratamento. Dessa forma estaremos contribuindo para o uso racional dos antibióticos, tentando evitar o surgimento de novas resistências bacterianas.
Drª. arika Lopes Silva
Bioquímica
Coordenadora do Laboratório de Análises Clínicas da Santa Casa
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Antibióticos ou antimicrobianos sao substâncias químicas capazes de inibir ou matar microrganismos (bactérias). Essas substâncias podem ser produzidas de forma natural ou serem sintetizadas em laboratórios farmacêuticos.
Um dos maiores avanços da medicina no século XX foi a descoberta do antibiótico penicilina, em 1928. A partir daí pensou-se que todos os problemas relacionados a infecçao estariam acabados, uma vez que a penicilina era capaz de matar as bactérias causadoras de infecçao. A euforia e o otimismo tomaram conta do panorama na época e os antibióticos passaram a ser utilizados sem muito critério, uma situaçao que, infelizmente, persiste até os dias de hoje. Já em 1944, uma bactéria muito conhecida, Staphylococcus aureus, mostrava-se resistente a açao da penicilina. Desde entao, essa e outras bactérias vêm desenvolvendo mecanismos de resistência cada vez mais complexos e direcionados para um número cada vez maior de antibióticos.
A situaçao chegou a tal ponto que atualmente já foram isoladas bactérias resistentes a todos os antibióticos disponíveis, inclusive aqueles ditos de última geraçao, os mais potentes. Felizmente esses casos ainda sao raros, mas servem de alerta para o problema mundial da resistência bacteriana. A preocupaçao com o número crescente de bactérias resistentes é tao grande que fez com que a Organizaçao Mundial de Saúde definisse como uma das metas para o século XXI o uso racional ou correto de antibióticos.
O número de novos antibióticos em pesquisa nas indústrias farmacêuticas diminuiu drasticamente enquanto a resistência a s drogas antimicrobianas tem aumentado de forma assustadora. Corre-se o risco de num futuro nao muito distante nao termos opçao de tratamento para algumas doenças infecciosas caso medidas racionais de uso de antibióticos nao sejam tomadas. Alguns exemplos de uso inadequado de antibióticos:
aIndivíduos que se automedicam, tomando antibiótico por conta própria ou receitados pelo balconista da farmácia, vizinhos e amigos.
aPacientes com alguma infecçao, por exemplo, urinária, que nao sao encaminhados pelo médico ao laboratório de microbiologia para que um exame de cultura seja realizado. O exame de cultura fornece ao médico informações importantes a respeito do agente que está causando a infecçao e quais antibióticos podem ser utilizados.
aUso de antibióticos muito potentes sem necessidade. Mais uma vez o exame de cultura é muito importante, devendo-se reservar os antibióticos mais potentes para as situações de doenças mais graves, causadas por bactérias resistentes.
aPacientes que começam o tratamento e assim que observam melhora no estado de saúde deixam de tomar o antibiótico receitado pelo médico.
Quando tomamos um antibiótico errado, na dose inadequada ou sem necessidade, ajudamos as bactérias a se fortalecerem contra eles, selecionando aquelas mais resistentes, proporcionando para nós mesmos, o aparecimento de doenças infecciosas mais difíceis de serem tratadas, ou seja, mais graves.
Em casos de doenças infecciosas é fundamental que se procure um médico, que exames de cultura sejam realizados para que o perfil do agente seja conhecido e que o paciente nao abandone o tratamento. Dessa forma estaremos contribuindo para o uso racional dos antibióticos, tentando evitar o surgimento de novas resistências bacterianas.
Drª. arika Lopes Silva
Bioquímica
Coordenadora do Laboratório de Análises Clínicas da Santa Casa
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